Encontrar o amor na Alemanha

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A última vez que eu torci para o Grêmio

2020.05.14 00:10 firewoodspark A última vez que eu torci para o Grêmio

A última vez que eu torci para o Grêmio, como torcedor colorado, foi em 1983. Foi quando ele ficou campeão mundial. Eu tinha 9 anos. Adorava futebol, mas eu gostava da idéia de um gaúcho jogar a final do mundial, que na época era chamada de copa Toyota.
Como vocês sabem, o Grêmio ganhou, e eu fiquei bem feliz. No dia seguinte, fui encontrar os meus amigos. Eu morava em uma cidade do interior, e a maioria dos torcedores em cidades do interior do RS são gremistas. Mas ao invés de uma recepção calorosa, o que eu recebi foi um ódio que não estava esperando. Eles eram campeões, mas nós não éramos, e, por isso, a gente não valia nada—não importa o tri-campeonato brasileiro. Eles passaram o dia inteiro me incomodando.
Daí começou uma raiva que eu não sabia que era possível. O meu ódio pelo Grêmio não via fronteiras. Se o destino da terra dependesse do Grêmio ganhar contra os alienígenas, eu iria torcer para os alienígenas. Nada era perdoado. Grenal do século. Cinco muito. Rebaixamento. Eu andava de bicicleta com a bandeira do Inter quando a gente ganhava o campeonato gaúcho. Eu odiava o Paulo Santana.
Na metade dos anos noventa eu fiz uma webpage para o inter que é tão antiga que não aparece no Web Archive. Aqui tem um screenshot. Claro, não era o melhor design em retrospecto (muito poluída), mas representava tanto o meu amor pelo inter quanto o ódio pelo Grêmio.
O Danrlei e o Ronaldinho Gaúcho me dão pesadelos até hoje. Quando o Inter finalmente ficou também campeão mundial, eu chorei, lembrando toda a humilhação que eu senti.
Mas o ódio não era tão grande assim. Minha mulher é gremista, mas dei um jeito de as crianças serem coloradas. Tive um pouco de sorte porque o Inter foi muito bem no início dos anos 2000.
Logo me mudei para os Estados Unidos, onde estou à doze anos, e comecei a ver as coisas de longe. A corneta não me incomoda mais. Ainda tenho um problema com o Felipão pelos 7x1 porque o pessoal aqui me enche o saco até hoje, mas não odeio o Grêmio mais. Eu vejo que a dupla Grenal depende deles mesmos. Eles precisam um do outro. Porto Alegre é demais; os dois tem estádios muito bonitos, que me dão orgulho. E não só POA; Atlético Mineiro e Cruzeiro; Palmeiras, Corinthians, Santos, e São Paulo; Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo. E também os times do Nordeste—Ceará, Náutico (mesmo que perdeu aquele jogo para o Grêmio), Fortaleza. E até os de SC como o Chapecoense e o Avaí. O futebol do Brasil me faz feliz aqui fora. Apesar do tropeço contra a Alemanha, o pessoal nos respeita.
É fácil se envolver em discussões locais, brigar com os amigos, vizinhos. Mas aqui nos EUA o pessoal gosta mais de Barcelona, Liverpool, Bayern Munich, Juventus, PSG, futebol Alemão. Vamos mostrar para estes gringos quem é o país do futebol.
Enquanto isso, fico torcendo para o Seattle Sounders, que ganhou o campeonato duas vezes. Mas ainda não é time suficiente para bater o Barcelona, ou o Hamburgo. O futebol daqui ainda é um pouco lento, e burocrático.
Nada como o futebol brasileiro.
Edit: E é claro, o Santos do Pelé - o que eles conhecem mais aqui.
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2019.12.11 16:51 SunTzuManyPuppies História: O dia que comi pizza com o Motorhead

Desde pirralho eu curto rock e metal. Tive minha época de “metaleiro”, com cabelo até a bunda e só se vestia de preto, que durou até os 17 anos mais ou menos. O estilo mudou, o cabelo ficou curto pra depois dar lugar à calvície, mas o amor ao rock n roll continua o mesmo.
Tive a chance de ir em vários shows legais, e várias vezes tive a oportunidade de bater um papo com as bandas, que foram desde tirar uma foto rápida com o Dio, até encher a cara no hotel com o Edguy. Essa é uma dessas histórias.
Em 2009 ia ter show do Motorhead aqui em Curitiba. Eu queria muito ir, mas estava sem dinheiro. Já havia visto eles dois anos antes num festival na Alemanha (festival esse que jantei com o Dani Filth e visitei o camarim do Within Temptation – mas isso é outra história), então já estava meio conformado que iria perder a apresentação.
No dia do show, em torno de meio dia, fui visitar uma amiga que morava ao lado de um hotel Radisson. Estava chegando lá a pé, e vi que tinha cerca de 10 a 15 cabeludos vestidos de preto na frente do hotel. Perguntei pra alguém o motivo deles estarem ali. “O Motorhead está hospedado aqui, e vão sair daqui a pouco”. Pensei puxa que legal, vou esperar um pouco ver se bato um papo com eles. 5 minutos depois, sai o Phil Campbell e o Mikkey Dee, e os fãs ali na frente ficaram eufóricos, tiraram fotos, gaguejavam, pegavam autógrafos... e eu fiquei esperando eles atenderem todo mundo. O Lemmy não apareceu.
Quando o Phil ficou sozinho num canto, fui trocar uma ideia com ele. O segredo pra falar com artistas é não se aproximar como fã, e sim como se fosse um alguém qualquer (o que eles são). Cheguei apertando a mão dele “Hi Phil, how are you?”, dei parabéns a ele em relação ao novo álbum, perguntei o que ele estava achando de Curitiba até agora, e mencionei que vi eles em 2007. O fato de eu ter sido alfabetizado em inglês e falar sem sotaque ajuda nessas situações. Não pedi nenhuma foto ou autógrafo, mesmo porque não tinha câmera no celular na época, nem estava carregando caneta ou item pra autografar; queria só trocar uma ideia mesmo. Ficamos uns 10 minutos batendo papo sobre assuntos gerais.
Eu já estava deixando a menina esperando, então falei pra ele que tinha que ir. Ele perguntou “Ok, vejo você no show hoje à noite?” e eu disse que não iria, que estava sem dinheiro.
“O quê? Não, você vai sim.” Ele grita pro assistente/fotógrafo chileno dele que estava do outro lado “Ei, Fulano! Anota aí o nome do Lucas!” ele vira pra mim, “Lucas do quê?”, eu respondo com meu sobrenome, e ele grita de novo pro assistente “Lucas de Tal!”. Puxa, que legal, obrigado! Agradeci, e fui embora.
Chega algumas horas antes do show e vou até o Master Hall, local do show. A fila estava gigante, dando a volta no quarteirão, e eu estava meio cético que ia conseguir entrar, afinal ele não me deu um ingresso nem nada, só anotou meu nome.
Os portões abriram, mas não peguei a fila, fui direto lá na entrada. Perguntei pra um segurança sobre uma lista, ele apontou uma mulher ali na frente. Cheguei todo tímido “oi, ahm, meu nome tá na lista?”. Ela me olha com a maior cara de cu do mundo “Qual lista? Lista dos jornalistas? Dos promoters? Dos patrocinadores?” enquanto folheava uma planilha com centenas de nomes. Quando chega na última folha, no topo da página está escrito “Motorhead Personal Guest List”, com um único nome constando lá: o meu.
Nunca vou esquecer a cara que a mulher fez. Não lembro exatamente o que ela falou, mas foi algo tipo “ahh, então você é diferente”, e começou a me dar uma credencial atrás da outra. “Esse é pra entrada, essa é pro camarote, essa é pra pista vip, esse é pro camarim e esse é pro after party”.
Entrei na casa (sem pegar a fila quilométrica), e assisti o show inteiro do camarote. Fantástico, maravilhoso, sem palavras pra descrever a energia dos caras no palco. Quem viu, viu. Quem não viu, não vai mais ver.
Ao final do show, esperei a casa esvaziar e fui até a entrada do backstage. Estava eu, o Marcelus do Motorocker (que abriu o show) e o Julião da Caveira (líder da torcida Fanáticos e ex-vereador – um lixo que quem é de Curitiba conhece). Nos fizeram aguardar uns 20 minutos e depois liberaram a nossa entrada lá. Quando entro, está o Phil e o Mikkey Dee lá, além de alguns assistentes da banda. O Phil levanta “LUCAS! Olha galera, esse é o Lucas, o cara que eu falei! Porra, que bom que vc veio cara, senta aí!”. O Marcelus e o Julião tiraram umas fotos com a bandeira do Athlético e logo foram embora.
“Você tá com fome cara, pega uma pizza! Quer tomar alguma coisa, whiskey, cerveja?” Peguei um pedaço de pizza e uma coca, e fiquei lá numa roda de conversa com o fotógrafo da banda, o Phil Campbell e com o Mikkey Dee, que saía de 10 em 10 minutos pra ir ao banheiro (por que será? ⚡⚡⚡). Conversamos ali sobre bandas, músicas, ouvi histórias de turnês, fofocas de artistas... por quase uma hora. Admito que abusei um pouco da hospitalidade, o Phil agradeceu de novo minha presença e se retirou. Daí depois disso fui embora. Admito que estava esperando um after party estilo Spinal Tap, mas acho que todos ali já tinham passado dessa idade.
Infelizmente o Lemmy só deu uma passada rápida pela sala onde estávamos, cumprimentou cada um rapidamente “great show Guys”, apertou minha mão, e foi direto pro camarim dele. Compreensível, o cara fez um show destruidor e parecia estar exausto. O Phil me falou que ele precisa ficar um tempo no oxigênio depois dos shows.
Fui embora, ainda meio atordoado com a experiência surreal que tinha passado, e uma das melhores histórias pra contar da minha vida. Não cheguei a tirar nenhuma foto, eu não tinha máquina e meu celular não tinha câmera. De lembrança, ficaram só as credenciais e umas palhetas que ganhei do Phil.
Fiquei na esperança deles voltarem pra tentar encontrar o cara de novo e ver se ele se lembraria de mim (spoiler: não lembraria), mas quando eles vieram em 2015 eu estava fora do país, e pouco depois o Lemmy faleceu.
Talvez depois eu faça uma outra thread contando outros encontros que tive com outros grupos como Gamma Ray, Edguy, Masterplan, Sonata Arctica, Slash, Testament... Mas de todas as bandas que já conheci, Motorhead é a maior, então eles merecem um post só deles!
Credencial e palheta: https://i.imgur.com/A48RpcF.jpg
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2019.04.20 23:39 Samuel_Skrzybski STEEL HEARTS - INTRODUÇÃO (PARTE 1)

Infelizmente, eu já vi que o sub de escritores brazucas não é lá muito populoso. Eu não sei se um dia alguém vai chegar a ler a introdução da minha narrativa, mas se você está aqui, lendo a minha nota pré-texto, eu peço humildemente o seu feedback. No meu círculo social, rigorosamente NINGUÉM tem tempo e paciência para ler tudo e me dizer o que achou - e eu entendo perfeitamente kkkkkk. E, se me permite um segundo pedido: se for me dar um toque, seja na gramática, seja na minha forma de decorrer a história, faça críticas construtivas, por favor.
E sobre a introdução: se um dia a minha história porventura se tornar um livro - e eu não faço nenhuma questão que isso aconteça - ele se iniciaria após todos os fatos que eu vou narrar abaixo - e estes fatos iriam se revelando no decorrer dos capítulos. Essa introdução tem o único e exclusivo objetivo de dar um entendimento melhor ao leitor atual - você! - sobre o "universo Steel Hearts": contexto histórico da trama, histórico das personagens, eventos que moldam a narrativa e afins. Em um eventual livro, essa introdução seria inexistente e ele se iniciaria no prólogo - o qual eu já escrevi e vou postar aqui também, ainda hoje ou amanhã. E até o momento atual, o prólogo é onde a minha história está empacada :{
Enfim, sem mais delongas: boa leitura! :)
[EDIT: Eu vou ter que dividir a introdução em duas partes, para conseguir postar - eu não sabia que o Reddit tinha um limite de caracteres. Eu vou postar a Parte 1 agora e a Parte 2 eu posto em alguns minutos, logo na sequência.]
Cronologicamente, a trama se inicia em 1412.
Dois jovens oficiais do Reino da Catalunha se perdem no interior de uma floresta de mata densa em uma patrulha rotineira e descobrem uma reserva imensa de ferro, cobre e bronze no interior de uma caverna - esta, batizada de Madriguera de Sán José. Todos estes citados, minérios primordiais para a construção de equipamentos de combate e, no auge da Idade Média, eram de extremo valor. Após apurações mais profundas, foi descoberto que a reserva era muito maior do que se imaginava e se estendia por todo um território, conhecido como Península de Acqualuza. Naturalmente, os olhos de toda a Europa Medieval se voltaram para as terras de Acqualuza, que era território da Catalunha - região onde atualmente se localiza a Espanha - por direito, comandada desde 1383 pelo rei Carlos Villar. O que antes era só mais um pedaço de terra passou a ser visto por Carlos Villar como um trunfo para instalar o seu reinado como a maior potência militar e econômica da Europa e, por tabela, do mundo.
Entretanto, alguns anos mais tarde, o rei da Catalunha foi assassinado por sua própria filha primogênita, Alice Azcabaz Villar, movida pela ganância e pelo poder. Após assumir o trono em 1414, Alice, sem nenhuma experiência como governanta em seus 19 anos recém-formados e se vendo incapaz de colocar ordem em um reino inteiro sozinha, firmou uma aliança com a família Winchestter, uma tradicional linhagem nobre da Inglaterra, que se instalou na Península de Acqualuza e passou a governar a mesma.
É importante ressaltar que Acqualuza não se resumia apenas a ferro, cobre e bronze. Existia um povo vivendo naquela região. Uma civilização. Pessoas que se instalaram naquele lugar por gerações, muito antes de descobrirem que a península, na verdade, era uma verdadeira "galinha dos ovos de ouro". Os Winchestter foram protagonistas de um governo totalmente corrupto, que durou dois anos. Exportaram minérios, espadas, lanças, escudos, armaduras e afins da mais alta qualidade para os quatro cantos da Europa e enriqueceram de uma maneira rápida e efetiva. Mas, em contrapartida, o povo de Acqualuza vivia na miséria, na pior crise socioeconômica de sua história. A verdade é que a família Winchestter, juntamente de Alice Azcabaz, visavam somente os seus interesses pessoais. Enquanto a fortuna pessoal dos Winchestter decolava, a Península de Acqualuza entrava em rota de colisão, mergulhada na pobreza extrema. Os cidadãos acqualuzenses viravam quarteirões e quarteirões em filas intermináveis para a distribuição gratuita de pães velhos e mofados, para que não simplesmente morressem de fome. E por mais que a educação, saúde, segurança e desenvolvimento social da região fossem precários, o povo parecia anestesiado. Como se estivesse tão fraco e oprimido que sequer conseguisse levantar a voz para questionar os seus governantes.
Era nítido que o governo acqualuzense era instável, o que chamou a atenção dos ingleses. Talvez a maior potência econômica e militar da Europa no momento, a Inglaterra, conduzida por seu renomado exército imperial e pelo jovem e controverso rei Sabino III, estudava maneiras de depor o governo dos Winchestter e tomar as ricas terras de Acqualuza para si - o que soava como justo para os ingleses, afinal, os atuais governantes do território acqualuzense eram dos seus. A carta na manga dos ingleses era o povo de Acqualuza e as condições desumanas nas quais estes viviam. A estratégia, inicialmente, era enviar soldados ingleses travestidos de cidadãos acqualuzenses para o território dominado pelos Winchestter e forçar uma revolta contra o governo vigente. Os forasteiros organizaram tumultos, passeatas e até fizeram ameaças aos nobres, em uma tentativa de fazer o próprio povo fazer o trabalho sujo de derrubar os monarcas do poder por eles, evitando um ataque direto e um consequente e nefasto atrito entre Inglaterra e Catalunha, com quem mantinham uma cordial relação diplomática. Os cidadãos da península até esboçaram uma reação com os primeiros protestos, mas logo adormeceram novamente. Vendo o comodismo que o governo imoral da família Winchestter instalou nas terras de Acqualuza, Sabino III optou por uma solução mais radical: a criação da CAJA.
A CAJA nada mais era do que uma organização secreta, patrocinada pelo governo da Inglaterra e composta por militares do mais alto escalão do Exército Nobre Inglês e por assassinos de aluguel de elite. O objetivo? A princípio era, durante uma noite, impedir que os postes de lamparinas a óleo vegetal fossem acesos na Península de Acqualuza. E assim, na escuridão total, um pelotão seria responsável por invadir, saquear e depredar o castelo dos Winchestter e outro grupo realizaria a maior chacina já vista na Europa Medieval: estes invadiriam casas de cidadãos comuns e matariam a sangue frio qualquer ser vivo que encontrassem pela frente. E, como cereja do bolo, deixariam os corpos ensanguentados expostos nas ruas de Acqualuza para que todos os sobreviventes se deparassem com a tragédia ao nascer do sol. Um mar de sangue inocente que os ingleses julgavam como necessário: com a carnificina, a Inglaterra esperava que o traumático choque de realidade mostrasse ao povo acqualuzense de uma vez por todas que os Winchestter eram incapazes de proteger, tanto os cidadãos, quanto a eles próprios, e enfim compreender todas as consequências da péssima administração dos nobres ingleses em suas terras. A matança tinha data e hora para acontecer: 10 de Novembro de 1415, a partir das 18h30.
E neste contexto, somos apresentados a Constantin Saravåj Mandragora - ou simplesmente Saravåj. Nascido na Iugoslávia, na região dos Bálcãs e a 1200 km de Londres, era filho de uma família de camponeses extremamente pobre e sem perspectiva nenhuma de ter uma qualidade de vida minimamente digna. Todavia, desde os primórdios de sua vida, era uma criança criativa, inteligente e escandalosamente diferente das demais. Assim como seus pais e toda a Europa Medieval, acompanhava pelos jornais o drama do povo de Acqualuza, que ganhou notoriedade internacional. Lendo jornais de origem britânica, Saravåj aprendeu o inglês por conta própria. E foi por intermédio desses folhetos estrangeiros que o menino ficou sabendo da existência de Dúbravska. Um sábio monge acqualuzense que se isolou da civilização em meados de 1360 e passou a viver sozinho em cordilheiras, em um estado infinito de meditação. Era considerado pelos cidadãos de Acqualuza como o mais próximo de Deus que tinha-se na Terra - havia quem dissesse que ele tinha contato direto com o Todo-Poderoso. Quando ficou nítido que não existia nenhum panorama de melhora para o povo acqualuzense da situação de calamidade em que se encontravam, os mais importantes homens da Península de Acqualuza começaram a procurar por Dúbravska, na esperança de que este tivesse a fórmula perfeita para contornar todo sofrimento de seu povo. Quando contatado por meros cidadãos comuns, o monge afirmou que a Península de Acqualuza tinha um período de guerras incessantes pela frente, onde a paz seria impossível e seus governantes seriam seus maiores inimigos. E profetizou que, após o período de trevas, somente uma criança de coração puro e livre de maldade seria capaz de liderar um reinando que enfim devolveria a paz para Acqualuza. Algumas horas mais tarde, no pôr-do-sol, Dúbravska entregou sua alma para Deus e realizou a sua assunção aos céus, e nunca mais foi avisado por ninguém. Quando terminou a sua leitura, Saravåj sentiu um arrepio que correu todo o seu corpo e não teve dúvidas: era ele próprio a criança da profecia.
Alguns anos mais tarde, inconformado com a sua situação e de sua família e revoltado com a forma com a qual os nobres engoliam as classes inferiores, Saravåj foi para a Inglaterra incentivado por sua mãe em busca de mais oportunidades assim que se tornou um homem adulto, em uma árdua caminhada, onde cruzou a Europa em 25 dias até chegar em Cherbourg-Octeville, na Gália, de onde seguiu de balsa para a Inglaterra. Na terra da rainha, pela primeira vez na vida a sorte sorriu para ele - e em dose dupla: o garoto de até então 18 anos entrou e cresceu rapidamente no exército inglês e também apaixonou-se reciprocamente por Camilly Shaw, sem um pingo de dúvidas, uma das mulheres mais atraentes de todo o Reino da Inglaterra: o seu cabelo lembrava os radiantes raios solares, de tão loiro. Também era dona de claros olhos azuis cor-de-mar. A garota era membro e a natural herdeira de uma respeitada família de militares de elite. Pela primeira - e única - vez, Saravåj descobriu o amor. Saravåj filiou-se como peão ao Exército Nobre Inglês em 1413 e à CAJA em 1415. Sua mãe, em uma das cartas que mandava da Iugoslávia semanalmente para Saravåj, foi totalmente contra a ideia de saber que o seu próprio filho derramou o sangue de pessoas inculpadas e encorajou Saravåj a trilhar os seus caminhos longe do militarismo. Sugeriu que mudasse o seu foco para ler livros e adquirir conhecimento, como era o sonho dela. Saravåj sabia que era utopia. Prometeu para sua progenitora que seria a primeira e última vez. O garoto iugoslavo, idealizando o seu futuro com Camilly acima de qualquer coisa, tinha medo da ameaça que os Winchestter poderiam vir a se tornar um dia, sem conhecer o maquiavélico plano do governo inglês de usar a tirania dos Winchestter como justificativa para aumentar as suas riquezas com as terras de Acqualuza.
No dia 10 de Novembro daquele mesmo ano, Saravåj invadiu de surpresa na calada da noite o imenso castelo da família Winchestter, junto de colegas de esquadrão e de assassinos profissionais em uma noite que deveria ser de comemoração para os monarcas, com as suas típicas e corriqueiras festas regadas à música clássica e todo tipo de bebida alcoólica. No saldo final, o garoto, que sempre se destacou com espadas em punhos, assassinou Diógenes Dionisi, o próprio patriarca da família Winchestter. Foram incontáveis as baixas de membros dos Winchestter naquela madrugada. Do outro lado da moeda, o morticínio foi um sucesso: o nascer do sol foi acompanhado pelo choro de homens e mulheres abraçados com os ensanguentados corpos sem vida de seus entes queridos. O vermelho-sangue banhava todas as ruas de Acqualuza, em um cenário tão surreal que sequer parecia realidade. Esta noite ficou marcada por toda eternidade na história como "O Domingo Sangrento".
Com a morte de diversos membros da família Winchestter e com a desestabilização total dos mesmos, o povo de Acqualuza, enfim, despertou. Passeatas violentas que levavam como slogan a frase "OS MONARCAS NÃO NOS AJUDAM!" eram diárias na Península de Acqualuza. Zoey Deschamps, a viúva de Diógenes Dionisi, assumiu o mandato de seu ex-marido juntamente de Alice Azcabaz, em uma diarquia frágil e que sofria forte desaprovação do povo, em um período de seis meses que ficou conhecido como "Caveirão". A gota d'água foi o suicídio da rainha Alice Azcabaz, a própria pioneira da tomada de Acqualuza, que se enforcou após não suportar a pressão e as ameaças que vinham de seus próprios compatriotas. Com a morte de Alice, Zoey abdicou do trono, fazendo com que a Península de Acqualuza caísse em anarquia total.
Sem o exercício nenhum tipo de governo nas desejadas terras acqualuzenses, a Inglaterra tinha o cenário perfeito bem à sua frente. Contudo, optou por agir com cautela. Sabino III, sabendo que o povo de Acqualuza ficaria acuado e com um pé atrás após a péssima experiência com um governo gringo - e inglês - em suas terras, enviou seus mais competentes diplomatas para a Península de Acqualuza, na intenção de negociar a almejada anexação das terras de ferro, cobre e bronze com os representantes do povo acqualuzense, em um consenso bilateral, que fosse benéfico para ambos os lados, e pouco a pouco, foi colocando os seus oficiais dentro de Acqualuza, na esperança de criar raízes inglesas na península. Na teoria, a Península de Acqualuza se tornaria parte e dependente do Reino da Inglaterra em troca de estabilidade governamental. O povo sabia que eles precisavam de um rei e que a anarquia só iria levá-los ao fundo do fundo do poço. Não haviam muitas saídas que não fosse aceitar o acordo proposto por Sabino III.
Entretanto, havia uma maçã podre neste cesto que atendia por nome e sobrenome: Matiza Perrier. Um prepotente e irreverente gênio nato, inglês descendente de iugoslavos, membro do Exército Nobre da Inglaterra e que participou do saqueamento do castelo da família Winchestter ao lado de Constantin Saravåj no 10 de Novembro. Porém, paralelamente aos seus serviços prestados ao Reino da Inglaterra, Matiza liderava uma organização de interesses sombrios conhecida como Pasárgada. Os pasargadanos tinham um objetivo em comum com os imperiais ingleses: tomar as ricas terras da Península de Acqualuza para si. Mas utilizavam meios diferentes - e mais inteligentes - para isto. A Pasárgada era o grande ventríloquo por trás de cada atitude do reino inglês. Era quem mexia as peças no tabuleiro: manipulou o governo da Inglaterra para que este manipulasse os cidadãos acqualuzenses para que estes derrubassem os Winchestter do poder. No fim das contas, quem se beneficiaria da ausência de um rei na península e sentaria no trono seria Matiza Perrier - e ele tinha meios indefectíveis para isto. Tanto que, subitamente, como um raio que cai sem nenhum aviso prévio, as negociações entre a Inglaterra e o povo de Acqualuza pararam. Quando os nobres, oficiais e diplomatas ingleses se deram conta e olharam para o alto, só puderam assistir estáticos e de camarote a coroação de Matiza Perrier como rei de Acqualuza, que a partir daquele momento passou a ser um reino independente dos catalães, nomeado de "Pasárgada". Zoey Deschamps - agora noiva de Matiza Perrier - arquitetou por trás das cortinas as condições necessárias para que a Pasárgada atravessasse as negociações entre a Inglaterra e o povo acqualuzense e tomasse a península para si. Os cidadãos acreditaram com toda inocência do mundo que um governo novo e, acima de tudo, não-inglês, era o ideal para eles naquele momento.
Quando a notícia de que uma desconhecida oposição havia vencido a disputa pelo trono chegou aos ouvidos de Sabino III, ele ordeu a retirada imediata de todas as suas tropas das terras de Acqualuza. Muitos conseguiram fugir para regiões vizinhas - entre estes, Constantin Såravaj - mas muitos mais jamais puderam voltar para suas casas. No dia 10 de Julho de 1416, a Pasárgada assumiu oficialmente a Península de Acqualuza e o agora rei Matiza fez o seu primeiro discurso ao seu povo. O comandante da Pasárgada proferiu palavras bonitas e se mostrou um defensor ferrenho dos direitos humanos e da inclusão social das classes menos favorecidas, ganhando como recompensa uma salva de palmas ensurdecedora do povo e a simpatia dos mesmos. Mas contradisse-se quando ordenou que seus oficiais, de modo acaçapado, executassem sem dó nem piedade todo homem que tivesse um brasão inglês no peito nos limites de seu território. Saravåj assistiu imóvel muitos companheiros sendo brutalmente esquartejados durante o tumulto, mas foi bem-sucedido em sua fuga. Se instalou, assim como a grande maioria dos ingleses sobreviventes, na pequena vila camponesa de Balistres, pertencente ao Reino da Gália (onde atualmente se localiza a França) e que fazia fronteira direta com a Península de Acqualuza.
Em Balistres, Constantin Saravåj enfim pôde encontrar-se com sua amada após sua fracassada e última missão militar. Após uma longa conversa, Camilly convenceu Saravåj a deixar o Exército Nobre da Inglaterra e se instalar na vila de terras férteis de Balistres juntamente a ela. Muitos ex-oficiais ingleses seguiram o mesmo caminho e colocaram o seu uniforme imperial na gaveta para se dedicar a uma vida pacata em Balistres. Entretanto, o nobre guerreiro iugoslavo ainda se preocupava muito com o que acontecia em Acqualuza. Em seus pensamentos, sentia muito pelo povo daquele lugar. A Pasárgada era uma ameaça muito maior do que os Winchestter. Tanto para a Europa Medieval quanto aos seus próprios cidadãos. Seria uma mentira dizer que a qualidade de vida do povo da península não melhorou muito com o governo da Pasárgada. Mas a corrupção continuava - a diferença é que, desta vez, acontecia de uma maneira inteligente. O grande coringa de Matiza Perrier era o próprio governo anterior à Pasárgada: os pasargadanos não erradicaram a corrupção. Apenas a diminuíram. Ainda assim, muitos recursos que deveriam ser destinados ao povo acqualuzense eram usados visando somente os interesses pessoais de Matiza Perrier e de seus aliados mais próximos. Em uma comparação inevitável com o governo descaradamente ilícito dos Winchestter, a impressão era a de que Matiza estava tirando leite de pedra e levantando a Península de Acqualuza da lama. A astuta ideia era, além de roubar, alienar o povo. Sem instrução econômica, os acqualuzenses idolatravam Matiza, que aumentava a sua popularidade com seus periódicos discursos infestados de falso moralismo. No balanço geral, uma minoria do povo enriqueceu e a grande maioria apenas se tornou menos pobre. Uma sociedade cada vez mais segregada entre ricos e plebeus. Tudo ocorria da forma mais perfeita possível para que Matiza Perrier enfim começasse a colocar as suas peças no campo adversário para dar início a um temível império pasargadano.
Saravåj, um dos pivôs da agora extinta CAJA, até queria fazer algo para que o povo de Acqualuza abrisse os seus olhos mais uma vez. Mas era totalmente desencorajado por Camilly. A garota queria que Saravåj se concentrasse na vida a dois. Camilly afirmou que para ela, pouco importava passar os seus próximos setenta anos como mera camponesa. Que não reclamaria se comesse cenoura, couve e batata todos os dias. A única coisa que realmente importava era estar ao lado de Saravåj. Juntos, vivos e seguros. Os seus futuros filhos poderiam viver uma infância alegre, brincando no campo e longe das guerras e de toda crueldade do mundo, realidade rara na Era das Trevas da Idade Medieval. A imagem de uma família perfeita e unida, mesmo que ainda somente na imaginação e muito longe de ser concretizada, era linda. Sendo assim, tanto Sabino III quanto Constantin Saravåj desistiram das terras da Península de Acqualuza, reconhecendo finalmente, que agora estas mesmas eram de domínio da Pasárgada. A paz reinou em Balistres durante alguns meses. Saravåj e Camilly residiram felizes naquela vila e fizeram inúmeros planos para os próximos anos. As colheitas foram um sucesso. A segurança, estruturada por antigos e competentes soldados do escalão de elite do exército da Inglaterra, era impecável. As crianças tinham acesso à educação de qualidade, tanto militar quanto acadêmica. Após muito esforço de seus residentes, Balistres via em seu horizonte uma década próspera e abundante.
Até que, durante um pôr-do-sol, a Pasárgada, faminta por ampliar os seus domínios, invadiu o vilarejo gaulês. Constantin Saravåj e seus companheiros bem que tentaram defender as suas terras com unhas e dentes, mas em vasta desvantagem numérica, foram facilmente reprimidos. Por mais uma vez, a Pasárgada patrocinou um massacre. Muitas pessoas, leigos e militares, foram mortas. A maioria delas, jovens que partiram deste plano sem concretizar os seus sonhos. Nesse ínterim do ataque do reino de Matiza Perrier ao vilarejo de Balistres, Camilly Shaw feriu-se com gravidade. Após ter uma lança atravessada em seu peito, a garota começou a perder muito sangue. Os remanescentes que restaram da investida pasargadana transcorreram para a metrópole de Nice, uma das maiores cidades da Gália e uma das pouquíssimas que contavam com assistência médica especializada. Novamente, a Pasárgada venceu e incorporou a terra de Balistres aos seus territórios.
Em Nice, Camilly foi uma das primeiras a receber atendimento dos paramédicos. Após uma rápida e sucinta análise, o iátrico afirmou a Saravåj que a hemorragia de sua dulcinéia era um quadro clínico irreversível para a medicina da época. Camilly Shaw deveria ter, na melhor das hipóteses, algumas horas de vida. E como se não bastasse, o médico ainda constatou que a garota estava grávida há algumas semanas e teria o infeliz destino cruel de falecer juntamente de seu bebê. Foram as palavras mais duras que já entraram pelos ouvidos de Saravåj. O garoto sentiu que estavam arrancando-lhe brutalmente a parte mais importante de sua essência. Camilly era motivo pelo qual Constantin Saravåj realizou atrocidades pela CAJA. Pelo qual desistiu da carreira militar. E, acima de qualquer outra coisa, a garota era o motivo pelo qual Saravåj estava disposto a matar e a morrer, se fosse necessário. Durante a caminhada até Nice, Camilly fez com que Saravåj prometesse que, independentemente do que viesse a acontecer dali em diante, ele não iria derramar uma lágrima sequer. Nem por ela, nem por ninguém. Mas o garoto iugoslavo foi incapaz de cumprir a sua promessa quando soube que iria perder a mulher da sua vida e seu primeiro filho de uma só vez. "Se Camilly morrer, por que ou por quem eu tanto matei?", pensava Saravåj, entre lágrimas e soluços. Matrimônio. Sonhos. Planos. Tudo virou pó de um instante para o outro. Em pouco tempo, o garoto estaria sozinho no mundo. Soava injusto, mas já não havia tempo para prantos. Durante a trágica notícia, inúmeros mensageiros da Gália chegaram aos berros em Nice, gritando pelas ruas de maneira histérica para quem quisesse ouvir que a Pasárgada estava invadindo a Gália de modo feroz. As tropas da grande metrópole gaulesa precisavam se organizar para um provável combate e os cidadãos daquela localidade eram jogados à deriva, sendo obrigados a se refugiar como pudessem.
Por mais uma vez, os sobreviventes do morticínio de Balistres teriam que fugir de seus algozes. Até a metade do caminho, Saravåj levou Camilly em seus braços, com a estúpida esperança de que Deus, se de fato se fizesse existente, oniconsciente, bondoso, justo e misericordioso, operasse um famigerado milagre. Até que, nos arredores de Paris, tornou-se inviável continuar carregando uma mulher que havia recebido uma sentença de morte. A consciência de Camilly estava por um fio. Os braços de Saravåj já há muito eram humanamente incapazes de continuar carregando um corpo tão pesado. Os retirantes precisavam se apressar, afinal, eles não sabiam o quão rapidamente a Pasárgada estava avançando. Não havia mais como adiar a despedida.
O garoto, afastando-se do grupo de Balistres, encostou Camilly em uma grande figueira. O casal, na escuridão da noite, era iluminado somente pela luz da lua cheia. A garota, em um último e doce ato, colocou nas mãos de Saravåj um colar dourado, que continha um pequeno pingente em formato de coração. E feito isso, fechou os olhos. Aos poucos, a sua respiração pesada cessou. E, por fim, o seu coração deu a sua última batida - um último "eu te amo" à Constantin Saravåj. Após a morte de Camilly Shaw, que sequer teve a oportunidade de ter um velório digno, os que restaram do vilarejo de Balistres continuaram a sua jornada durante toda madrugada. E só pararam quando alcançaram a cidade de Baden-Wüttenberg no nascer do sol, já no território da Germânia (nos dias de hoje, a Alemanha). Em solo germânico, todos os ex-soldados do Exército Nobre Inglês, entre eles, um abalado Constantin Saravåj, fizeram uma última continência à bandeira da Inglaterra, se despediram e trilharam seus respectivos caminhos.
"Olha bem, mulher. Eu vou te ser sincero. Eu sabia que ia dar errado. Esse mundo está corrompido e a felicidade aqui não passa de uma utopia. Nós vamos ficar longe um do outro por um tempo, mas ainda vamos nos reencontrar. Eu não posso te prometer, mas eu juro que anseio por isso do fundo da minha alma"
Após este calamitoso ocorrido, Saravåj nunca mais foi o mesmo. Tornou-se uma pessoa amargurada. Cheio de ódio no coração, admitiu para si mesmo que a criança da profecia não passava de um delírio. Também se convenceu de que todo o amor que ele podia dar em vida terrena, ou qualquer sentimento positivo que fosse, foram para o túmulo juntamente de Camilly Shaw. O garoto iugoslavo passou a dedicar a sua vida a tecer um planejamento suficientemente perfeito para derrubar a Pasárgada - e em especial, Matiza Perrier - já que estes haviam tirado tudo o que ele tinha de mais importante. Suas terras. Seu povo. Seu filho. O grande amor de sua vida. Dizimar a Pasárgada. Concretizar a sua vingança. É para isso que Saravåj passou a viver. Afinal, tudo o que era lindo. Tudo o que era bom. Tudo o que era perfeito. A Pasárgada destruiu.
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2016.05.26 00:13 Wikipeida Desabafo: Portugal é um mau país para se criarem startups!

Desde muito novo que tenho feito pequenos negócios em regime freelancing que me têm dado alguma experiência e motivação para fazer algo maior.
Aprendi durante os últimos anos que em Portugal é ultra difícil encontrar uma pessoa:
Em todos os processo de recrutamento passei pelo mesmo:
1- O entrevistado ou vem ter comigo ou é recomendado por alguém porque o sonho dele era ter uma startup
2- Começa a afastar-se quando percebe que trabalhar numa startup não é a mesma coisa que trabalhar num emprego estável remunerado 8h por dia
3- Começa a falhar prazos atrás de prazos e deixa de estar contactável
4- Começo a sentir que o meu contacto e a minha presença é indesejada por parte da outra pessoa, e tenho de começar a fazer "pushing" para ver coisas a serem feitas
5- De repente, em vez de estar a preocupar-me em construir um negócio com o apoio de alguém igualmente motivado, estou preocupado em gerir co-fundadores
6- Coloco a questão à pessoa recrutada se este é mesmo o tipo de vida que quer, pois é natural que ao inicio fosse dificil de prever que criar um negócio é tão exaustivo, sempre de forma cordial
7- A cobardia do português, nunca é capaz de dizer que não e afastar-se, prefere dizer que sim, que as coisas vão mudar e continuar a fazer perder tempo e janelas de oportunidade
8- No fim o negócio morre antes de nascer, porque eu chego à exaustão de andar a gerir pessoas em vez de evoluir o negócio
Hoje em dia aprendi a não deixar as coisas avançarem do ponto 2 (ou 3). Não estou para andar a sacrificar-me por algo para dividir em partes iguais por outras pessoas que nem são capazes de ajudar no essencial.
Já fiz todos os niveis de introspecção, tendo mesmo pessoas independentes a avaliar se sou eu que tenho um problema e afasto as pessoas (a teoria do denominador comum certo?). E chega-se sempre à conclusão que a minha falha é não saber encontrar as pessoas certas.
Pois bem, encontrei uma pessoa certa cá em Portugal, em todos estes anos. Lá fora, em poucos dias encontrei várias (na Alemanha por exemplo é muito fácil encontrar gente disciplinada). Pela minha experiência chego à conclusão que por questões culturais, cá em Portugal é um país dificil para arranjar co-fundadores para um negócio.
Em termos de financiamento, Portugal é mais outro filme. Durante estes anos todos tentei várias vezes obter apoio financeiro das seguintes formas:
Quadros comunitários: Compete/Portugal 2020, QREN, concursos com prémios... são tudo tachos. Estes concursos, apesar de se publicitarem como apoio à inovação e couves, normalmente são usados para alimentar projectos nacionais ou europeus (dos quais participei em alguns nos meus tempos de estudante e pude confirmar em 1ª pessoa o que estou a dizer). Estes concursos são tachos, basicamente. Quem ganha são normalmente empresas (ou um consórcio de empresas e universidades) que em nome de um projecto fictício e propostas/planeamentos irreais, ganham estes concursos, usando o dinheiro dos mesmos para interesses particulares. No final o resultado dos projectos é uma fachada, as avaliações das comissões cientificas europeias e outras são uma farsa (aprovam tudo, bem ou mal feito), acabando estes projectos por queimar dinheiro dos contribuintes e resultarem em nada de consequente para a sociedade. Por outro lado, nenhuma startup consegue ganhar estes concursos que estão feitos para os amigos e familiares de alguns, também porque para ganhar X euros em financiamento, tem de se entrar com 30% ou mais. Ou seja, eu, startup que preciso de dinheiro, tenho de pagar com dinheiro que não tenho para ter investimento. Irónico... Não digo que o dinheiro deva ser oferecido a qualquer caramelo que tenha uma ideia para uma startup, sem este dar garantias, mas queimar este dinheiro em tachos para cunhas também não é solução...!
Venture Capitalists, Angels, etc...: Já desisti cá em Portugal de procurar financiamento. Normalmente não há visão de negócio (conheço algumas empresas que foram super desvalorizadas cá, mas cujos fundadores não desistiram e foram lá fora procurar o que não encontraram cá, apoio, e tiveram tanto sucesso que já nem dá para contar os milhões de lucro que essa gente move hoje em dia). Por outro lado, cá pensam que com 10,000€ se financia uma startup. E depois fazem propostas ridículas, 10,000€ por 50% da empresa. Esta gente é parva? 10,000€ gastei eu só para desenhar, planear, desenvolver a ideia, criar mockups, validar o mercado, etc do ultimo negócio que lancei. Esta gente é parva, não tenho outras palavras para descrever a maioria dos investidores que temos por cá. Silicon Valley em Portugal? Talvez um dia, mas não hoje.
Poupar, juntar e investir: Portugal é um sitio horrivel para se fazer isto. Poupar? lol? Como? Uma pessoa chega ao fim do mês e quase que sobrevive, quanto mais poupar. O truque aqui é ir para o norte da Europa, trabalhar 6 meses a 1 ano, poupar (porque lá é possivel), e então tirar uns outros 6 meses de "férias" para tentar criar um negócio, trabalhado a full-time e investindo essas poupanças em recursos ou mão de obra auxiliar. Cá em Portugal conheci N pessoas que, por amor ao país pouparam lá fora e vieram tentar criar cá o negócio, e só vos digo isto: as pessoas cá nem a receber um salário (ligeiramente acima da média para a industria das tecnologias) faziam nada de jeito! O zé tuga tem sempre a mentalidade de que podiam estar a ganhar mais noutro sitio, e então nunca se dedicam 100% ao que lhes é pedido, não cumprem prazos, mais uma vez falta de disciplina (a receber salário atenção!!!). Conto com as mãos o nº de pessoas que trabalham com gosto naquilo que faziam e com brio. A maioria das pessoas não gosta do que faz, seja trabalho precário ou trabalho altamente qualificado, os melhores vão lá para fora ganhar 2000€ ou mais, só ficam cá os letargicos fora uma ou outra excepção.
Neste momento encontro-me a criar uma startup a solo, desisti de me envolver com outros co-founders e colaboradores, só me atrasavam. Toco todos os instrumentos desta orquestra sozinho. É de estourar uma pessoa, mas é o que é. Não procuro ninguem para se juntar a mim (pois pelo pior já passei eu sozinho1) e estou a tentar fechar uma proposta de investimento sério fora de Portugal e a formar uma equipa de engenheiros (edit: cá, por agora), porque não é cá que as coisas acontecem. Para chegar até aqui levei muita porrada e precisei de ver muitos negócios cá a falhar e muitos lá fora a resultar (muitos deles iguais) para começar a suspeitar que o problema está no país e não em mim (obviamente que no limite há sempre alguém com capacidade de, nas circunstancias mais merdosas de sempre safar-se muito bem, mas como isso é 1 em um milhão, e eu não tenho super-poderes, decidir deixar de ser um peixe a tentar trepar uma arvore e fui procurar apoio em países que me proporcionavam lagos para eu nadar).
Nisto, apeteceu-me criar este tópico como um desabafo desta revolta que sinto, porque isto magoa-me como Português e desgastou-me bastante, vi muita gente com muito potencial a ser mandado abaixo pelos "detractors" deste país, e meses ou anos mais tarde ver o mesmo potencial a nascer noutros locais (Silicon Valley por exemplo) apenas porque nesses locais se dá o apoio certo às pessoas. Peço desculpa se pareço arrogante, estou apenas ligeiramente super revoltado com a situação. Por isso caros amigos, se tiverem a pensar criar uma startup, façam-no lá fora, cá só vão perder tempo. É triste mas é real, eu sei pelo que passei e outros passaram. Não percam tempo num país que não tem visão de crescimento, vão passar o tempo a engolir sapos em troca de nada, vão perder anos da vossa vida, saude e amigos, para nada.
Portanto resumindo e concluindo, Portugal é um mau país para fundar startups porque é quase impossivel arranjar bons co-founders, bom investimento e criar condições pessoais, financeiras e sociais que facilitem a vida ao empreendedor.
1 Procurar empregador que me aceitasse na condição de empreendedor (colaborador de risco que pode sair da empresa em 6 meses após o inicio de contrato), trabalhar 8h por dia no emprego full-time, chegar a casa e em vez de ir ver o benfica, comer gajas, beber uns copos, ficar a trabalhar até às 2/3 da manhã e no dia seguinte acordar às 7h AM para ir trabalhar outro dia, etc.
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