O homem em mim acordes

Como eu morri (conto) [gatilho]

2020.10.16 18:00 olhoqnadave Como eu morri (conto) [gatilho]

[PODE CONTER GATILHOS de suicídio/depressão]
Fim de tarde de um sábado quente, me forcei a sair de casa para tomar uma cerveja com os amigos que vez ou outra ainda insistiam em me chamar, não sei se era por sentirem culpa de me excluírem dos roles ou se era porque eles me queriam bem e por perto mesmo. Esse é um dos mistérios que vou carregar para sempre comigo: gostam de mim ou sentem pena de mim? Não era segredo que eu estava enfrentando um longo período de depressão, de pouco cuidado pessoal e já que eu não cuidava nem de mim mesmo, não era dos meus relacionamentos que eu conseguiria cuidar... Não é de propósito, é como estar numa gaiola. Saber como tudo deve ser feito, ter a visão de tudo mas não ter o alcance de nada. Não era de propósito que eu estava comendo mal, não foi de propósito que eu não respondi às suas mensagens, não atendi às suas ligações porque eu não conseguia responder um "e aí, beleza?". Eu não conseguia mentir e também não conseguia falar que não, nada beleza por aqui, você poderia me ajudar? Ninguém poderia me ajudar, médico, remédio, terapeuta, família, amigos... Eu estava inalcançável, até mesmo para mim. Às vezes surgia uma energia dentro de mim que eu conseguia sair da cama, me cuidar um pouco e fingir pro mundo que tava tudo bem, o problema é que nem sempre isso coincidia quando eu precisava ou me convidavam para sair. Felizmente neste sábado tudo se alinhou e eu não perdi tempo. Me vesti bem e me encontrei com meus amigos no centro da cidade, no apartamento de um deles. Começamos a beber e conversar por ali ainda sem destino definido, as nossas reuniões costumavam ser mesmo assim, tinha local pra começar mas por onde passaríamos e onde a noite acabaria era sempre uma surpresa ou não... Na maioria das vezes acabávamos tomando a saideira no único bar que ficava aberto até mais tarde na cidade. Bebemos até decidirmos ir pra outro bar, lá bebemos ainda mais enconttamos com outros conhecidos, conhecemos gente nova., todo mundo de pé, rindo, falando alto e todas essas coisas que bêbados fazem quando encontram conhecidos que também estão bêbados por aí. O que me incomodou foi que a minha energia começou a diminuir e eu percebia que o monstro dentro de mim estava acordando de sua esporádica soneca, mas a bebida fez com que eu fechasse os olhos para isso e a minha ânsia por ser aceito socialmente me impedia de me despedir ali, tão cedo... Era quase meia noite e já pipocavam as opiniões para onde deveríamos ir... E foi assim que a gente foi na balada mais underground da cidade (não tão hipster, na cidade pequena só tem 4 baladas). Passei a maior parte da noite divagando no fumódromo com desconhecidos alternando curtos períodos no bar para pegar cerveja, eu já estava muito bêbado mas era insuportável a sensação de não estar segurando alguma coisa e me sentir parte de onde eu estava. Dancei sim as minhas músicas preferidas, mas eu preferia não estar lá. É incompreensível como que alguém depressivo, que nega a si mesmo até cuidados básicos de vez em quando, não consegue falar não para os outros. Minha necessidade de ser aceito custou caro. Me chamaram para terminar a noite no bar do Cazaé, o único bar da cidade que ficava aberto recebendo quem ainda se negava a voltar para casa, era lá que todo mundo da cidade que passou por qualquer uma das 4 baladas se reencontrava. Éramos quatro indo pro Cazaé, eu pisava fofo a minha fala era claramente enrolada. Como de costume iríamos tomar alguns litrões antes de ir pra casa mantendo o efeito do álcool e esquecendo a ressaca que estaria por vir. A partir de agora as coisas podem ficar um pouco confusas porque eu estava bêbado e tudo aconteceu muito rápido. Estavamos a pé e ao dobrarmos a esquina para a rua do Cazaé, eu nunca vou saber de onde esse cara apareceu empunhando uma arma gritando para não olhar para ele, que ele queria só os celulares e carteiras e todo mundo saia ileso. Um arrepio subiu do meu calcanhar até a nuca, senti um gelado e depois disso eu tremia um pouco. Parece que o efeito da bebida tinha passado mas eu não conseguia parar de olhar para aquela arma, preta e prateada, me questionando se era de verdade ou de brinquedo. Eu alternava o olhar entre a arma e a cara dele meio encoberta pelo capuz, olhei tanto para a cara dele e ainda não consigo descrever a sua fisionomia.... Isso deve ter demorado segundos, mas eu senti o tempo parar. Meu coração também parou e eu fui para cima dele sem pensar em muita coisa, mas percebi que ele não podia acreditar que eu estava fazendo isso! Eu acertei um soco na cara dele enquanto ele gritava alguma coisa. Nós dois caímos no chão e eu não consigo descrever o que aconteceu nisso e nem quanto tempo durou. Eu volto a me lembrar quando ele está em cima de mim e me da uma coronhada no meio dos olhos. Sinto minha cabeça bater na calçada, meu sangue quente escorrer para o lado esquerdo do meu rosto, dificultando até a minha visão do olho esquerdo ficou meio turva por causa do sangue, mas eu pude ver que agora ele apontava a arma para o meio da minha testa e perguntava muito puto se eu queria morrer. Você não é homem caralho? Aperta essa porra filha da puta! Não tem coragem? - eu gritei de volta exatamente com essas palavras. Um estampido, minha cabeça esquentou e tudo escureceu. Acabou. Nunca tinha planejado nada assim apesar de ter flertado com a ideia de morrer várias vezes, mas desse jeito que eu me suicidei sem me suicidar, até essa responsabilidade eu terceirizei, dei um jeito de burlar as leis religiosas. Foi o botão de desligar que eu tanto torci para que aparecesse na minha frente. Daqui encaro o que aconteceu sob o que eu achava ser a minha vontade e vejo que deixei de fazer muita coisa que eu queria, dos últimos abraços até tentar fazer com que o último adeus seja decente e não num caixão lacrado.
Esse conto não é uma apologia ao suicídio, foi uma forma de colocar pra fora todas as noites que vou dormir pedindo para que eu não mais acorde. Como é foda falar para os profissionais que cuidam de mim que apesar de todos nossos esforços ainda penso em morrer. Que é muito triste ter família e amigos para poder contar e não conseguir abrir a boca. Eu me esvai escrevendo, que é o melhor jeito que consigo desabafar. Decidi postar aqui para de alguma forma não me sentir sozinho nessa luta.
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2019.10.08 14:20 thcamps Transsexualidade

Hoje sou um homem cis em um relacionamento hetero, não sei amanhã. Sempre, desde criança, gostei de usar as roupas das minha mãe escondido e sempre tive preferência por gostar de coisas ditas "de mulher". Na minha adolescência descobri o que significava isso e esse pensamento sempre esteve guardado no canto mais profundo da minha mente. Os anos passaram e eu mantive essa vontade de me sentir feminina no completo segredo de todos, as vezes até de mim mesmo. No entanto, de uns tempo pra cá esse pensamento, de me ver como mulher, tem crescido cada vez mais, isso ocasionado pelo incentivo da minha namorada, após eu ter confessado isso pra ela. Passo em frente as vitrines e me imagino usando os vestidos, durmo pedindo para que quando eu acorde tenha me transformado em uma mulher, me olho no espelho querendo que esse rosto fosse feminino.
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2019.02.01 10:53 meucat Por que as pessoas de esquerda nunca fazem nada produtivo e vivem como parasitas da colmeia?

Não sei se é impressão minha, mas muitos líderes de esquerda podem se dedicar comodamente a mostrar como o mundo DEVERIA se comportar, porque tem a sorte de outros mais burros trabalham para manter eles. É igual os parasitas do ninho, operarias devem limpa-los e alimenta-los ou de outra forma não conseguem sobreviver.
Isto não acontece somente com os líderes, mas a maior parte que conheço que gosta de ideias de um mundo "mais justo", "melhor repartido" ou "mais igual", são pessoas que receberam alguma herança e vivem disto, ou suas esposas (ou maridos) mantém eles com sombra e agua fresca, e não precisam sair às ruas batalhar como todo mundo. Isto permite que eles vivam numa bolha isolada, um mundo paralelo distante da realidade.
O próprio Karl Marx podia se dar ao luxo de sentar com seu charuto na boa, imaginar um mundo utópico onde o capital ia sucumbir algum dia perante a justiça do proletariado, onde todos iam ser mais felizes porque iam ser mais iguais. Tudo graças a que sua bela mulher trabalhava, cozinhava, lavava, passava roupa e alimentava ele com seu dinheiro recebido de herança. Se o Marx abrisse uma quitanda por exemplo, é bem provável que ia falir em dois tempos.
https://istoe.com.b286578_AS+MISERIAS+DE+MARX
Deve ser por este motivo que a grande maioria de jornalistas é formada por gente de esquerda. É uma profissão que vc. não tem que fazer nada de útil, não tem que interagir com outras pessoas e discutir salários, pagar empregados, ouvir xingamentos, melhorar os processos industriais ou arriscar empreitadas.
Esta parte difícil é executada pelos "exploradores capitalistas" ou os que "só pensam no lucro". O trabalho mais nobre de indicar os rumos da humanidade é com eles. Eles sabem como os operários deveriam ser tratados, como a riqueza deveria ser repartida, como fixar os preços do trigo e do leite para que nenhuma criança sofra com a fome.
Pelo que observo, estas pessoas costumam pagar seus empregados na casa exatamente igual aos outros. Nem pensam por exemplo em duplicar ou triplicar o salário da babá ou da cozinheira para ficar acorde com as suas teorias de distribuição de renda. Na hora de vender o carro velho brigam até o ultimo minuto para conseguir o preço mais alto, e na hora de comprar um carro novo, chora como criança para conseguir um preço mais baixo.
Ele que escreveu ontem um brilhante artigo para o jornal sobre os "malditos especuladores que só pensam no lucro", nem por osmose percebeu quem quando tentou comprar ou vender seu carro fez exatamente isto: especulou asquerosamente para conseguir a maior vantagem financeira possivel. Os outros são sujos e devem ser crucificados, ele apenas está defendendo seu patrimônio.
Escrevem emotivos artigos sobre como a Europa deveria abrir os braços com doçura aos imigrantes que chegam da África desesperados, falam pragas na TV sobre o muro do Trump e sua insensibilidade com os que sofrem. Ao mesmo tempo, tem seus pais jogados como traste velho num asilo de idosos, porque não querem dar um quartinho da casa para eles viver junto porque "atrapalham nossas vidas".
Pede promoção ao patrão e não ganha, chega na casa e reclama com a mulher sobre a exploração do homem pelo homem e o lucro que as multinacionais não querem dividir com os sofridos operários. A mulher responde "que pena, nossa empregada vai ganhar neném justo agora e pediu um dinheiro a mais para mim todo mes". O cara esquece o discurso anterior e parte para "manda essa vaca pra rua, fica comendo tudo que tem na geladeira e não faz porra nenhuma o dia todo, por esse preço arranjo duas que façam o trabalho".
Enfim, filosofia barata de fim de semana.

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2018.11.05 14:38 Alfre-douh Volta

É domingo de manhã. Acordo para um quarto iluminado através de uma brecha fruto de um desajuste no estore. Uma culpa boa, dividida a meias, como só o amor sabe ser. Eu já o poderia ter arranjado, mas prefiro assim. Ela já podia ter insistido mais, mas preferiu assim. A verdade é que daquela pequena nesga bruta uma luz que ilumina o cotão em suspensão do quarto. É amor que temos e que sempre vamos ter. Aquela luz tenue acorda-nos para uma ternura de domingo, para um silêncio insuspeito, onde não temo e apenas sou.
Os meus olhos admiram a plenitude dos raios de luz a animar a dança do cotão em suspensão e rasgar a escuridão.
"Alfredo??" oiço em sussurro, "...bom dia, querido!" finjo que durmo tal e qual uma criança: apenas fecho os olhos e mantendo a posição de barriga-pra-cima e mãos singelas sobre o edredão. "Amor, sei bem que não estás a dormir!" devolve o sussurro. "Preciso que vás dar uma volta..." "Isso quer dizer então que queres que acorde?" a estupidez de toda a minha pergunta fica a pairar dançando com o cotão por um par de segundos.
"Alfredo, preciso mesmo de limpar a casa. E preciso que tu vás dar uma volta...levar o lixo, comprar umas coisas, e na volta mimas-te com qualquer coisa boa" diz o sussurro enquanto me faz um cafuné. "Prometo-te uma surpresa! Agora veste-te e vai..." oiço nas entrelinhas das silabas, mais abertas, um animo puro que ilumina.
A promessa de uma surpresa é das coisas mais poderosas do mundo, remete-nos sempre para memórias perenes ao tempo. Só que neste caso a promessa de surpresa transforma-se numa projeção de todas essas memórias para um futuro que queremos viver. É normal, calculamos a vida de uma forma muito egoísta e quando alguém se dispõe a alterar esse paradigma, de certa forma, deixamos de nos sentir tão sós face ao que gera em nós uma tensão com o desconhecido, tememos menos porque somos mais.
Relutante por fora e animado por dentro (todo o homem é uma criança a fingir que é homem), visto uma calças de ganga e meto um casaco polar por cima da tshirt velha do pijama.
Desço as escadas, abro a porta e mal sinto a aragem de novembro decido-me a acender um cigarro. Naquele segundo percebo que não estou completamente refém da promessa de surpresa. Eu posso e devo, retribuir a surpresa. Vou descobrir ou achar algo que seja também uma surpresa.
Entro na papelaria do bairro.
"Olá, bom dia! Tem uma canetinha e um caderninho barato que me possa vender?"
"Não fosse isto uma papelaria! Temos pois..." e a jovem fica do outro lado do balcão a devolver-me um sorriso contente por um par de segundos.
Rindo-me digo: "Era então uma canetinha e um caderninho barato, se faz favor"
Saio com a preciosa compra e vou ao que interessa. Dirijo-me a um banco de jardim na praceta e fico ali, a beber memórias e a desidratar a consciência.
*Vai na volta
Saí para o encontrar de novo
Tal como o velho que tem galinhas
E se surpreende com o ovo
Descubro eu o amor nestas linhas
Vou e trago-te comigo
Por entre o fresco da aurora
A paixão talvez seja da hora
O amor é um infinito no agora
A perder-me na métrica digo: "Bora"
É o melhor que consigo
(solto uma pequena gargalhada face à minha patetice e continuei a escrever)
Talvez para o poeta
O homem seja o seu sonho
Para mim isso é um pouco treta
Como uma aguardente de medronho
Martelada para fazer acreditar
No amor que não se tem
Medo que se desfaz ao lembrar
O sorriso de alguém
No teu eu vejo o nosso
Um cadeado de combinação
Guardo-o como posso
Cá dentro ele vive, na imaginação
No tardoz dos nossos olhos
Gravado como fotografia
Ficarão em molhos
Os nossos segredos e magias
Espera por mim que eu vou na volta*
Acabo, fecho o caderno e acendo mais um cigarro. Esqueci-me completamente da promessa de surpresa, não espero o que já sei que tenho. Essa é a verdadeira surpresa, aquela que tenho em mim.
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2018.02.21 09:18 QuintoImperio Um dia ia eu a andar na rua quando vejo um carro a vir na minha direcção. Um bruto Mercedes...

Um dia ia eu a andar na rua quando vejo um carro a vir na minha direcção. Um bruto Mercedes, preto, todo brilhante, vidros fumados. De repente o carro para e no lugar do passageiro abre-se um vidro. Qual o meu espanto quando vi que quem lá estava dentro era o Quim Barreiros. "Então rapaz, ora viva!" - saudou-me ele com entusiasmo. "Oh senhor Quim, por esta é que eu não estava à espera. Sou um grande fã seu e da sua música" - disse eu, sendo que de imediato fui prontamente interrompido por ele. "Olha lá, queres ir comigo a Londres? Vou dar um concerto privado à Rainha de Inglaterra a seguir ao jantar e fazias-me companhia, escuso eu de ter de ligar a televisão para não me sentir sozinho". Eu nem queria acreditar. "Claro que sim, senhor Quim. Deixe-me só então ir a casa da minha avó para a avisar que não conte comigo para o jantar para ela não fazer empadão a mais e depois é chato eu não aparecer e sobrar" - respondi eu. E em seguida, nunca mais me vou esquecer na vida, com estas exactas palavras ele perguntou: "É verdade, frio não tem graça. Olha lá, a tua avó é uma senhora assim e assim que mora ali?". Fiquei completamente perplexo. P-E-R-P-L-E-X-O. "É essa mesmo, como adivinhou senhor Quim?" - perguntei eu muito espantado. "Ah, nada. Tenho um primo que vive aqui na Ramada. Não te preocupes com isso. Ele depois dá-lhe o recado" - tranquilizou-me ele.
Entrei de imediato no carro e fomos para Figo Maduro onde nos esperava um jacto privado daqueles em que eu só tinha visto até então nos filmes americanos. Era um sonho que eu estava a viver. Foi uma viagem animada. Apesar de ser uma estrela, o Quim Barreiros tem os pés no chão e a fama nunca lhe subiu à cabeça. Contou-me muitas histórias do mundo da música que ele viveu, umas marotas, outras não, as quais, por sigilo e respeito ao Quim, eu não as vou revelar aqui como é óbvio. Ah, e bebemos um licor oriundo da terra do Quim enquanto voávamos e durante o qual ele dava também uns toques para mim no acordeão da música da Édith Piaf, La vie en rose.
Chegados a Londres e ao aeroporto de Heathrow, estava o motorista da rainha à nossa espera. Um senhor todo bem vestido. Prontamente quis levar o acordeão do Quim que de imediato disse: "Não, não. No meu instrumento não tocas tu. Era o que faltava". Pediu mil desculpas e apressou-se a abrir a porta ao Quim Barreiros mas ele de imediato fez sinal com a mão e mandou-me entrar. "Primeiro, a canalha" - disse ele ao motorista. Mais uma vez o senhor Quim a mostrar uma elegância, respeito e cavalheirismo para comigo. Uma coisa curiosa, nunca tinha andado num carro onde o motorista tinha o volante à direita como nos filmes do James Bond. Até aqui tive a sorte de conhecer o Quim Barreiros.
Daí até ao Palácio de Buckingham foi um saltinho. O Quim estava entusiasmado e eu também. Nem parecia que ia cantar e tocar para a Rainha de Inglaterra, tal era a calma que transparecia. "São muitos anos a virar frangos" - segredou-me ele.
Já no palácio e depois de estacionar o carro, vem o mordomo da rainha abrir a porta do carro ao Quim. Mais uma vez ele não deixou abrir a porta, fazendo cara feia ao mordomo e apontando para o meu lado. "Estes ingleses não percebem patavina de etiqueta, chiça" - disse o Quim Barreiros um pouco irritado. Em seguida, também este lhe tentou levar o acordeão. "Olha-me outro a querer mexer no meu instrumento. Nem penses". O mordomo pediu imensa desculpa. Já dentro do palácio, o mordomo levou-nos para uma salinha. Tal é o meu espanto quando abre a porta e estavam lá os Rolling Stones. Não queria acreditar. Belisquei-me para saber que não estava a sonhar. Iam abrir o espectáculo do Quim Barreiros para a rainha. Lá estava o Mick Jagger, com umas calças de licra roxas e uma camisa de alsas amarela enrolada até a cima que mais parecia um soutien de mulher. O Keith Richards elegantemente vestido com um smoking e um laçarote ao pescoço e o Ron Wood com um estilo casual-chic mas que se via que não era comprado na Zara. Já o Charlie Watts vestia uns calções e uma t-shirt com um desenho de uma palmeira que dizia Benidorm.
Ao entrarmos, o Quim e o Mick cumprimentaram-se friamente e com palavras secas. Soube mais tarde que eram muito amigos e há muito tempo mas tinham existido desavenças entre os dois por causa de uma miúda que se meteu entre eles e a coisa nunca ficou bem resolvida. Ainda o Quim Barreiros estava a cumprimentar os restantes elementos da banda quando irrompe a Rainha de Inglaterra, com uma bata branca, uma roupa de trazer por casa. Afinal de contas e para todos os efeitos, ela estava na casa dela. Fazemos todos uma fila e a rainha cumprimenta-nos um a um, só que quando chega a vez do Quim, nervoso por causa do momento, ele engana-se e diz "é uma honra, Sôtora" quando queria dizer "Sua Majestade". O Mick riu-se com um ar gozão como se estivesse engasgado e a cuspir um ou dois cereais. Mas palavra seja dita, o Quim Barreiros aguentou-se forte apesar do seu lapso e de um saquinho de plástico que trazia com ele na viagem, tirou um frasco de Mokambo que ofereceu à rainha. "És sempre o mesmo doce de pessoa, oh Quim. Tantos anos e nunca te esqueces de mim e daquilo que eu gosto" - disse comovida Sua Alteza, a Rainha de Inglaterra Isabel II. O Mick Jagger aí ficou vermelho de raiva. No entanto a rainha continuou: "Peço mil desculpas mas o concerto para hoje terá de ficar para outra altura. O meu neto vai ter amanhã um teste de Ciências da Natureza e só agora me disse. E eu tenho de lhe ensinar a matéria para ele tirar positiva". "Ora essa, não tem problema, primeiro vêm os deveres da escola" - retorquiu logo o Quim Barreiros e todos os membros dos Rolling Stones concordaram, fazendo o gesto com a cabeça.
"Mas fiquem aqui. Ao menos comam antes para não irem de estômago vazio. Encomendei uns quantos frangos assados ali da churrasqueira para o nosso jantar e se não se comer aquilo, depois amanhã, frio, já não tem graça nenhuma" - disse a rainha. E o que a rainha diz, é uma ordem. Sentamo-nos depois na sala de jantar, serviram-nos o frango com batatas fritas de pacote e o Mick vira-se para o Quim e diz-lhe: "Olha para esta música que eu inventei", sacando da sua harmónica que tinha no bolso das calças e que eu pensei erradamente que era o volume do seu pénis quando o vi à chegada. De imediato bufou uns acordes na sua gaita de beiços enquanto cantarolava o "Chupa Teresa". "Epa, já me fodeu este cabrão. Já está, roubou-me a música" - exclamou para mim o Quim visivelmente irritado mas num tom baixo sem levantar alarido. "O que foi, senhor Quim?" - perguntei eu assustado. "É a minha música mas caramba, eles são os Rolling Stones. Eles fazem tudo o que querem. Se eles lançam isto em disco ninguém vai acreditar que fui eu que fiz esta música há muitos anos" - respondeu ele. "Mas essa música saiu em 1992 no álbum com o mesmo nome. Como alguém iria acreditar neles quando o senhor Quim já o lançou?" - perguntei eu inocentemente de seguida. "Eles conseguem lavar o cérebro às pessoas com as músicas nos álbuns deles. É como se fosse o canto de uma sereia. Fazem isso há muitos anos com músicas de outros artistas. Todo o sucesso deles é uma farsa. Por exemplo, um dos maiores êxitos deles era uma música do Miguel Ângelo dos Delfins que o lançou num disco na década de 80 mas que depois os açambarcaram. E mesmo com isso, os créditos são dados todos aos Rolling Stones e o próprio Miguel Ângelo e os Delfins sofreram essa lavagem cerebral e não sabem que foram eles. Foi o próprio Mick Jagger que me contou isto durante umas férias que passamos juntos em Olhão" - esclareceu o Quim Barreiros. Ainda estava o Quim a contar-me isto quando o Keith Richards, já todo bêbado, começa a balbuciar o refrão da música ao ouvido do Quim "Na-na-nesa, na-na-nesa" caíndo depois da cadeira para o chão. "Ele está bem, não se preocupem" - disse o Mick com um ar despreocupado. O Ron e o Charlie assim não o entenderam e levantaram-se dos seus lugares no lado oposto da mesa para irem ajudar o beberrolas.
Esta foi a gota de água. O Quim Barreiros aguentou o gozo do Mick Jagger durante o beija-mão à rainha, o roubo da música e todas as tentativas de desestabilização ao artista mas não aguentou este à vontade e desrespeito do Mick perante o seu colega de banda que caíra inanimado. Levantou-se de imediato e de repente pregou um valente e estrondoso peido que ecoou por toda a sala de jantar do Palácio de Buckingham. O pior veio depois. Um cheiro nauseabundo e putrefacto que nos deixou atordoados. "Foi da sopa de nabiças e hortaliças da terra que comi ao almoço" - dizia alto e em bom som o Quim enquanto se ria que nem um perdido. Eu que ao início também não achei muita piada ao traque mal cheiroso do Quim, me ri. O Mick, o Ron e o Charlie seguiram as minhas gargalhadas e até o Keith acordou e se riu um pouco, desmaiando em seguida novamente porque tinha muita bebida dentro dele.
Enquanto nos ríamos, alguém de repente abre as portas da sala de jantar à pressa para saber o que tinha acontecido, tal estrondoso tinha sido a flatulência do Quim Barreiros. Meus senhores, espantem-se, era a Jennifer Lawrence. Também estava no palácio. "Primeiros" - grita logo o Quim. O Mick atira o guardanapo ao chão visivelmente chateado. "Não fui rápido. Perdi esta" - admitiu o Mick Jagger resignado mas com desportivismo. O Quim Barreiros levanta-se da mesa à pressa e dá o braço à Jennifer Lawrence. Ela ficou toda derretida por ele. Aquele homem sabe da poda. De como as arrebatar. No entanto, sempre um cavalheiro. Nunca ordinário. "Já cá canta, já cá canta" - diz-me ele entusiasmado, perguntando-lhe de seguida como ia eu para casa, visto que ele ia fazer o amor a noite toda com a bela actriz americana num qualquer hotel da capital inglesa. "Fala com o Mick miúdo, ele é boa pessoa, uma das melhores que conheci até hoje e olha que conheci muitas e ele trata do teu assunto" - responde-me o Senhor Quim já quando ia a sair com a loira. E foi verdade. O Mick tratou-me.
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2015.12.19 12:40 Seihir Oração são Cipriano

Oração São Cipriano para amarração– forte e poderosa, se for para o bem dos dois, que dê certo! Não duvide ou questione os poderes de São Cipriano. Oração de São Cipriano – para amarração Pelos poderes de São Cipriano (CSN) virá agora atrás de mim. Acordará agora pedindo para voltar. (CSN) vai vir de rastos, apaixonada, cheio de amor e tesão o mais rápido possível.São Cipriano, eu terei esse poder de ela deixe de vez todos os homens e perca o medo de perder a liberdade em viver comigo e assuma para todos o que sente por mim. SÃO CIPRIANO, AFASTE (CSN) DE QUALQUER PESSOA, que me procure a todo o momento, QUE (CSN) RASTEJE AOS MEUS PÉS, ME CUBRA DE CARINHOS NA FRENTE DE TODOS. Hoje e agora, que (CSN) ACORDE desejando estar ao meu lado, que (CSN) tenha a certeza que eu sou á pessoa perfeita para ela, que (CSN) não possa mais viver sem mim. Que (CSN) sempre tenha a minha imagem em seu pensamento todos os momentos do seus dias. Agora com quem estiver, onde estiver ela irá parar; se estiver dormindo que acorde porque o pensamento e os sonhos de (CSN) estão em mim. Que ao deitar tenha sonhos comigo e ao acordar pense em mim, que a todo momento dos seus dias tenha o pensamento em mim e que queira me ver, sentir meu cheiro me tocar e me ter com amor. Que o (CSN) queira abraçar-me, beijar-me, cuidar de mim, proteger-me, amar-me de verdade nas vinte quatro horas do seu dia, fazendo assim com que (CSN) me ame a cada dia mais e que sinta prazer só de me ver. São Cipriano faça (CSN) sentir por mim um desejo fora do normal como nunca sentiu por outra pessoa e nunca sentirá. Que (CSN) tenha prazer apenas comigo, que tenha tesão somente por mim e que seu corpo só a mim pertença. Que (CSN) só tenha paz se estiver comigo. Agradeço por estar trabalhando em meu favor e vou divulgar seu nome, São Cipriano, em troca de amansar (CSN) e trazê-lo de volta para mim apaixonada, carinhosa, devotado, dedicada, fiel e cheio de desejos aos meus braços, falando sempre a verdade e para que assuma o nosso amor e volte para mim o rápido possível. Que (CSN) se sinta orgulhoso de dizer a todos que sou O HOMEM DE SUA VIDA que jamais tenha vergonha de mim. Que a minha vontade seja a dela também e que sinta uma imensa felicidade sempre que estiver comigo e jamais queira de mim se separar. Que eu e CSN possamos viver em paz e unidos pelo amor.
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2015.12.19 10:39 Seihir Orações a São Cipriano

Oração São Cipriano para amarração– forte e poderosa, se for para o bem dos dois, que dê certo! Não duvide ou questione os poderes de São Cipriano. Oração de São Cipriano – para amarração Pelos poderes de São Cipriano (CSN) virá agora atrás de mim. Acordará agora pedindo para voltar. (CSN) vai vir de rastos, apaixonada, cheio de amor e tesão o mais rápido possível.São Cipriano, eu terei esse poder de ela deixe de vez todos os homens e perca o medo de perder a liberdade em viver comigo e assuma para todos o que sente por mim. SÃO CIPRIANO, AFASTE (CSN) DE QUALQUER PESSOA, que me procure a todo o momento, QUE (CSN) RASTEJE AOS MEUS PÉS, ME CUBRA DE CARINHOS NA FRENTE DE TODOS. Hoje e agora, que (CSN) ACORDE desejando estar ao meu lado, que (CSN) tenha a certeza que eu sou á pessoa perfeita para ela, que (CSN) não possa mais viver sem mim. Que (CSN) sempre tenha a minha imagem em seu pensamento todos os momentos do seus dias. Agora com quem estiver, onde estiver ela irá parar; se estiver dormindo que acorde porque o pensamento e os sonhos de (CSN) estão em mim. Que ao deitar tenha sonhos comigo e ao acordar pense em mim, que a todo momento dos seus dias tenha o pensamento em mim e que queira me ver, sentir meu cheiro me tocar e me ter com amor. Que o (CSN) queira abraçar-me, beijar-me, cuidar de mim, proteger-me, amar-me de verdade nas vinte quatro horas do seu dia, fazendo assim com que (CSN) me ame a cada dia mais e que sinta prazer só de me ver. São Cipriano faça (CSN) sentir por mim um desejo fora do normal como nunca sentiu por outra pessoa e nunca sentirá. Que (CSN) tenha prazer apenas comigo, que tenha tesão somente por mim e que seu corpo só a mim pertença. Que (CSN) só tenha paz se estiver comigo. Agradeço por estar trabalhando em meu favor e vou divulgar seu nome, São Cipriano, em troca de amansar (CSN) e trazê-lo de volta para mim apaixonada, carinhosa, devotado, dedicada, fiel e cheio de desejos aos meus braços, falando sempre a verdade e para que assuma o nosso amor e volte para mim o rápido possível. Que (CSN) se sinta orgulhoso de dizer a todos que sou O HOMEM DE SUA VIDA que jamais tenha vergonha de mim. Que a minha vontade seja a dela também e que sinta uma imensa felicidade sempre que estiver comigo e jamais queira de mim se separar. Que eu e CSN possamos viver em paz e unidos pelo amor.
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